Téléchargeur: David
Pays: Ireland
Temps de chargement: Sep 16, 2018
Prix: Gratuit
Évaluation: Basé sur 1 utilisateurs

S'il vous plaît, vérifiez que vous n'êtes pas un robot pour charger le reste des pages

tÉlÉcharger temperamento forte e bipolaridade pdf

Ciências & Cognição 2010; Vol 15 (1): 294-295
Submetido em 06/01/2010
|
Aceito em 19/02/2010
|
ISSN 1806-5821
© Ciências & Cognição

Publicado on line em 20 de abril de 2010
Resenha
Temperamento forte e bipolaridade
Strong personality and bipolar
Maurício Aranha
Instituto de Ciências Cognitivas (ICC), Três Rios, Rio de Janeiro, Brasil
A obra procurar demonstrar que o temperamento quando associado às
flutuações do humor podem caracterizar um dos transtornos mais
crescentes da atualidade, o bipolar. Também tem por objetivo
contribuir para que tal conhecimento possa auxiliar no controle do
transtorno a partir de uma atitude resolutiva em situações em que o
humor se apresente como desestruturante.
Outro aspecto importante da abordagem se volta para a
avaliação criteriosa do diagnóstico de bipolaridade, muitas vezes
confundidos com outros transtornos psíquicos e, portanto, medicados
de forma equivocada.
O autvor enfoca com muita perspicácia o relevante papel
sociocultural e sua influência num mundo repleto de estímulos e
carente de análise e questionamento. O autor utiliza sua experiência, exemplificando situações
com personagens conhecidos do universo contemporâneo. Esta abordagem facilita a leitura e
o entendimento dos interessados pelo tema e que nem sempre dispõem de um instrumental
teórico especializado para compreender textos mais técnicos.
Assim sendo, a obra encontra-se dividida em 12 capítulos. No capítulo 1 procura
definir componentes importantes que lhe servirá de instrumental argumentativo tais como
temperamento, caráter, personalidade e os tipos de humor. Demonstrando serem os
temperamentos adaptativos ou não ao ambiente. Propõe uma leitura do humor por um viés
depressivo e eufórico fazendo perceber que o que define o humor como sadio é a adequação
do mesmo à realidade.
Dedica o capitulo 2 aos elementos conceituais da bipolaridade, bem como traça um
paralelo dos estados afetivos de depressão e mania no entender da dinâmica bipolar. Chama a
atenção para os aspectos sutis da diferenciação deste com o transtorno de humor unipolar. E
discute o porquê não concorda que o termo “bipolaridade” seja realmente adequado para
expressar este tipo de transtorno. Outro ponto significativo deste capítulo versa sobre os
mecanismos de defesa empregados pelos portadores de tal sofrimento na busca de uma
melhor adaptação social.
No capítulo 3 a abordagem se volta para os aspectos comparativos de pessoas
detentoras de um temperamento forte, porém não portadoras de transtorno do humor. Deste
modo, traça uma critica exposição sobre temas tais como hipertímico e ciclotímico.
Já o capítulo 4 elege o parâmetro temperamento com o fim de chegar aos aspectos
mais relevantes do transtorno de humor. Destaca que compreender os tipos de temperamento
é importante para que se entenda as diversas variações do humor.
 - E-mail para correspondência: [email protected]
294
Ciências & Cognição 2010; Vol 15 (1): 294-295
Submetido em 06/01/2010
|
Aceito em 19/02/2010
|
ISSN 1806-5821
© Ciências & Cognição

Publicado on line em 20 de abril de 2010
O capítulo 5 aborda os bipolares leves. Chama a atenção para o fato de que mesmo
não sendo um transtorno com o mesmo impacto que a bipolaridade plena, tem
desdobramentos fronteiriços com outros transtornos de expressão e gravidade inquestionáveis
como depressão, fobia social e ciúme patológico.
O capítulo 6 contempla humor bipolar do tipo I, as vezes confundido com uma
bipolaridade leve ou quadro esquizofrênico. Procura demonstrar os significativos prejuízos
sociais que acometem a vida de portadores desta patologia; descrevendo detalhes e situações
que permitem uma compreensão mais dinâmica deste tipo de vivência.
O capítulo 7 fornece os elementos constitutivos do diagnóstico clínico do transtorno
bipolar e ressalta a importância de uma experiência em proceder o diagnóstico para não se
incorrer no equívoco de confundir tal patologia com alguns transtornos de personalidade.
No capítulo 8 o autor faz um parêntese na análise dinâmica do tema para ofertar a
esperança aos portadores da bipolaridade. Neste capítulo enfatiza as maneiras de se lidar com
tal transtorno. Para tanto, descreve vários níveis de abordagem do tema que vai desde uma
abordagem medicamentosa até o acolhimento familiar. Chama a atenção para as armadilhas
do pensamento e propõe meios de lidar com a personalidade.
O capítulo 9 retoma a especificidade temática. Trata da psicofarmacologia disponível
na contemporaneidade. Alude aos estabilizadores de humor, suas implicações e expectativas;
bem como, os cuidados na utilização e manejo dos antidepressivos.
Para demonstrar que a patologia não é um excludente social e nem uma patologia
“preconceituosa”, utiliza-se do capítulo 10 para demonstrar que o transtorno não escolhe
classe, gênero, sexo, mas acomete indistintamente anônimos e famosos. Alude neste capítulo
destacadas pessoas de temperamento forte e com bipolaridade.
O capítulo 11 é uma salutar reflexão sobre o momento atual e seu impacto no universo
psíquico do sujeito. O mundo cada vez mais veloz, informal, distanciado, solitário,
hiperestimulado e despojado de significado e limite. Estaria o mundo vivendo uma
bipolaridade? Este é o grande questionamento do autor.
Por fim, tem-se o capítulo 12 fechando a obra com mais um questionamento, desta
vez, voltado para o interior, É o contraponto reflexivo do capítulo 11. O enfoque é o futuro, a
possibilidade ou uma possível inevitabilidade de se conviver com aquilo que se teme. E o
autor o faz com consciência e sutileza.
A obra é indicada para alunos, professores e interessados em compreender os aspectos
psíquicos, médicos e de um transtorno que vem se destacando como um dos mais estudados
na atualidade e cujo impacto social tem se revelado através do contingente de portadores que
veem suas vidas estagnadas como num labirinto em que a porta para sair é a mesma por onde
se deu a entrada.
O autor Diogo Lara é psiquiatra e pesquisador em neurociência ramo do conhecimento
em que se doutorou. Atualmente é orientador de pós-graduação e pesquisador do CNPq.
Leciona psiquiatria e bioquímica na PUC-RS. E autor de artigos científicos em publicações
nacionais e internacionais em psiquiatria, psicofarmacologia e neuroquímica.